quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Atraso

Tão perdida
quanto o ponteiro de um relógio atrasado
tão adiantado em estar errado
tão parado

Pacato na arte de estacionar
num tempo que nem existe no espaço
num espaço de tempo estacionado
eu corri atrás
do que antes mesmo atrás de mim corria

Ah o verão
foi tão quente no início
e tão frio no alto do precipício
que flutuou a tal canção

Falando do nosso fim
no ponteiro, um estopim
eu te liguei de novo
e eu juro, peço socorro
a gente não tava legal

Naquele clima de carnaval
eu deixei de ser amante
pra ser a eterna e deselegante
ex mulher de amor carnal

Que te liga de madrugada
achando que o amor é como uma piada
que mesmo sem ter graça
vai ser feliz no fim

Do que me adianta graça agora?
O ponteiro fez-se a hora
que mesmo adiantado por nós dois
te fez correr
e ir embora

Mas eu vou atrás de ti.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ser ou ser?

Há como não ser?
Deixar de lado o viver
Encarar

Experimental, expelir o saber e não ser
quem dera fosse simples, como afasia
Perder o sentido, perder o relógio
vestir fantasias

Me vestiria de Meishu-Sama
Te invadiria como massive-attack
Te usaria como um lacre
Te usaria

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Vagão

Quando eu acho uma vaga
fico assim, na tocaia

Se te toco, vagamente,
faíscas se espalham
altruísta
quase um turista nesse vagão

Tão sólido que me estendeu a mão
e disse pra não reparar tanto nesse sentimento
que por mais que vagaroso, por menos corajoso
disse que ia ficar

E ficou
E tic-tac não curou
e está

Tão real quanto o ponteiro
Tão rápido quanto este vagão
que por mais e por menos
atende por: coração

domingo, 2 de outubro de 2011

3 años

Tanto que durou
que por aqui ainda está
por não dizer sim, por não dizer não
Ficou um gosto amargo, do futuro que é o passado
a resposta incerta perpétua na sala de estar

Tanto  está que ficou
um tanto quanto medo
De um tanto um desejo
do teu beijo fruta cor
do seu instinto beija flor

Tanto é que já vôou
e partiu
para a cidade fria
para ver a sangria
e partir
meu empedrado coração
e partiu.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Um texto sem sentido
às vezes faz sentido.

Fera ferida

Do que seria esse título?
O que você acha cópia?
Um adeus calado, mentido
metido a sabichão

Pensou que meus versos fossem pra ti
ego centro
No mundo há só um núcleo
e acredite, ele não tem seu nome

Fera ferida, tu és meu ascendente
e nem por isso tu me acende
a sentir aquela chama
E pensa que me engana tratando-me assim
sem gosto
Desgosto é te achar sem sal

até que tens tuas gírias
e carícias típicas de um índio lutador

Mas não me conquista
quando domina seu congar
preserva o que me reserva de ti
volte pra sua tribo nas montanhas
e faça-o de altar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Terei

O que, ainda não sei
uma história longa de amor
Ou um curta sobre nada
sobre tudo, sobreposto

Do que sei, são palavras
do que não sei? tudo
e ainda assim quero tudo
esse tudo que ainda não evolui

Não condiz com o que quero sentir
mas conduz com qualquer conduta não seguida antes

Não medida como um corpo
não obedecida como um flerte
não tratada como um bilhete
de adeus
ou uma carta de boas vindas

Que venha, pois uma resenha
ou um conto
eu encanto se quiser ficar
E farei do céu
sua sala de estar.