terça-feira, 14 de junho de 2011

Inferno astral

Fostes vivo por um segundo imortal
enquanto que na mente desmentia
tal moral que construía
de um vendaval atemporal

Diz que me levara
mas nunca senti o tempo
voando com o descontento
de ficar aqui na espera

Megera essa que criastes
sem malícia de viver
e hoje é um ser-monstro
que não mata mas não cura
e desmente a amargura
de vilão sem compostura

Mas a ida não vai sem volta
pois se estás aí é porque discorda
que um dia meu lado foi tua casa

Agora, sem-teto vives
não tão bem quanto ao meu lado
mas se precisas de um bom agrado
para não pagar aluguel nas ruelas de São Paulo
Vá! mas não volte

Pois aqui, ainda que eu me revolte, teu ser não será mais
Nada meu, nada nosso, nada a postos
de ser melhor do que um dia não foi

A esperança de te reviver morreu
e na lápide está escrito: fui eu
quem te enterrou e te mandou pra capital
sem destino de partida
estás no inferno astral.

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